Estou aqui,
vulnerável e humano.
Cada dia que vivo
aceito mais
que a vertente da minha
vulnerabilidade é
o alicerce da minha força.
Cada vez que respiro
ou abro a janela e sinto o
vento em meu rosto
me lembro que é porque
estou aqui -
apesar de vunerável
apesar de humano -
que me torno cada vez mais homem
e a minha masculinidade está
estampada no meu sorriso
pois apesar de meu peito
poder ser massacrado pelas
incumbências da paixão
e meus valores serem testados
- ao limite -
e minha vontade ser intangível
e minha pureza ser subversível
eu estou aqui.
Eu estou aqui.
Vulnerável
e humano.
Vulnerável por ser humano
Humano por ser vulnerável
e tal vulnerabilidade
que conjectura a gentileza
de amar.
Por amar, talvez perdoar.
Por perdoar, talvez reacreditar.
Sim, eu sorrio ainda.
Agora já sou mais tênue,
mais sutil.
O meu olhar é mais meu.
O meu pensar é aberto,
minhas palavras mais amplas,
minha arte mais forte,
sou inteiro mais.
Mesmo ainda,
sou humano
e vulnerável.
Mesmo ainda confio
na sutileza
do que só eu percebo
de um toque
ou de um olhar
apesar de todas as palavras
o contradizerem.
Afinal, se o Amor tem a mesma
natureza
vulnerável,
sutil,
intangível,
como confiar em sentidos
que não o sejam?
(A. Cortada)
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