Que eu não seja quem eu sou,
quem seria eu então?
Tira-me de mim, faz-me são.
Se me levas a vazão, o que restou?
Cubra-me o corpo nu e me envergonha;
Desfigura este cachorro imoral,
Sexólatra, ególatra, animal.
O Amor é a minha doença enfadonha.
Se te fazes feliz, vou-me embora
e te deixo em tua própria companhia;
Te desprotejo do mundo afora,
pois este mundo não é melhor que eu,
culpado somente de não-hipocrisia.
Acostuma-te, amigo, que ele é cruel.
(A. Cortada)
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