Hoje perguntaram-me se eu sou um poeta
e talvez eu não tenha a prepotência
- de dizer que sim.
Mas se me perguntassem se eu amo
- eu diria que sim;
Se me perguntassem se eu gozo
- eu diria que sim;
Se me perguntassem se eu já chorei
que nem criança
- eu diria que sim;
Se eu já me esqueci
em fervorosa dança
- eu diria que sim;
Se eu já me perdi
em insegurança
- eu diria que sim;
Se eu já fui apaixonado pela vizinha
e pela colega
- eu diria que sim;
Se eu já errei,
em intoxicável arrependimento
- eu diria que sim;
Se eu já gritei,
em total desalento
- eu diria que sim;
E se me perguntarem
se eu vivo em constante estado inebriado -
inegavelmente embriagado -
por toda beleza do mundo:
quer um jingado,
um rebolado,
ou um violinista endiabrado;
um poeta enfermo de amor,
ou um dramaturgo encarceirado;
um ator shakesperiano
ou um trovador canceriano.
Se eu me perco em rimas,
métricas, formas,
mulheres, pudores, medos,
línguas, bocas, arte,
no tarde e
no cedo,
no sexo,
no nexo,
na vez.
Talvez!
Talvez,
Talvez...
Eu deva responder:
- Sim, eu sou poeta.
(A. Cortada)
|