Pantomima

Eu vivia a minha vida,
sem saber que a queria
ardentemente
e você me querendo
sem querer,
inconsciente.

Quer dizer que me observava
a meia luz ao que eu,
por ignorância,
me lançava a outras mulheres?

Pois se eu pudesse, eu retomaria
todos os beijos que já dei em sua frente.
Se eu soubesse que um dia a amaria
tanto quanto o faço, abandonaria em um instante
todas as bocas outras e te observaria
atônito, me observando.
Te ansiaria, incrédulo,
me ansiando.
Eu teria vivido o agora, ontém,
certamente diferente do primeiro ato.

No backstage da vida, vivíamos
um conto de amor secreto,
cheio de encontros e desencontros.
Eu jamais poderia suspeitar
que tinha cativado o seu olhar.

Os segredos e as peças de teatro
têm algo em comum:
Uma hora, as cortinas se abrem.

Chegará uma hora que nos exporemos
ao público, para todos verem, meu amor.
Não tenha medo quando o dia chegar,
pois saiba que contracenar com você, a meia luz,
é um espetáculo que somente nós
conheceremos.


(A. Cortada)