Pagliacci

Houve um tempo
onde o sonho era tudo pra mim
e eu era o sonho,
e o sonho era eu.

Mas o sonho morreu e no fim,
com o fogo do estopim,
alçou ao céu
e cedeu

o homem que era eu:

Palhaço sorridente,
não mais que uma estrela cadente,
romântico incurável.

Artista triste,
cuja dor nunca desiste,
nem a platéia incansável.

Houve um tempo
onde amar era uma arte
e eu era o Amor
e o Amor era seu.

E era em ti que eu irradiava
e transbordava a toda parte.
Mas tu perdeste-me num bordel
ou em qualquer vulgar esquina.

Nem me deste despedida -
ou aplausos no final -
mas só uma máxima casual:
a Arte imita a vida


(A. Cortada)