Maha Shakti

É possível que o meu olhar em ti
nada tenha feito,
mas do encontro do teu
com o meu,
minha cara, eu suspeito
que senti
sonetos
motetos
cantatas

reverberando no fundo
de minha alma.

E eu nada podia fazer -
te olhar,
a não ser,

e ouvir
tenramente

poemas
fonemas
sonatas

que me fizestes.

Mas é possível que meu olhar
nada causou
e você passou despercebida,
sem poder saber

que seu olhar profundo -
e seu sorriso safado -
não me trouxe calma,

mas me deixou avoado
e reverberado.

E naquela hora tu eras arte,
pois me tranformava,
e eu,
que embalava,
era o canvas.

É possível que no meu último olhar
eu já sabia
que o momento alou
e não voltaria,

mas eu tinha aprendido
finalmente
o que eu queria.

Tu eras arte!
Eu era canvas!

Eu era Shankara
e tu, Maha Shakti.


(A. Cortada)