Infindável procura, Infinita espera
Se dá uma hora na vida
que não há cabeça erguida
e não há sonho que sustente
- qualquer canção, qualquer repente -
juras de amor que se esvaem,
e crianças que caem
que derrubam infundados castelos
pairando ao ar.
Não há folego que se tome
pois do cansaço que consome
se some do homem qualquer
qualquer coisa que se quer
e sequer qualquer orgulho
não salva do mergulho.
E nem um toque nos cabelos
e nem um ventre para amar.
Desiste do sonho, sonhador!
Desiste do amor, sofredor!
Se esquece de você e aceita
que não há época de colheita
e não se acha - é só o buscar -
e não há além do esperar
na vida que se vive.
Deixa de bobeira, meu Senhor,
que não existe essa coisa de Amor.
Não há beleza e liberdade
Só há a dualidade.
Não adianta se deixar dormir
para no seu sono se redimir
da vida que se teve.
Acorda, que ainda estás intoxicado!
Moleque obstinado!
Não lhe deixo voltar a cair.
Não se iluda para sorrir.
Não aprendeu com aquilo que se fez?
Já vai sonhar mais uma vez...
(A. Cortada)
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