2:01

É essa utopia que me mata.
Essa latência ingênua. Aspiração romântica.
É algo na essência da minha alma...

É esse realismo mundano que me desacata,
cheio de impureza. Tristeza semântica,
da percepção terrana,

que não tem beleza
e que não tem estética.

Também não há certeza
e muito menos ética.

Não há sons
que se propaguem,

há só o silêncio
ou qualquer bobagem.

É esse utopismo que me mata.
É o sonho que me destrata.

É o romantismo de acreditar,
como se quer acreditar,
que basta sonhar,

Que basta uma mensagem,

Infindável,
Inexorável,
Incompromissável.

Só uma bastaria,
se bem dita em voz alta,
e estremeceria
as fundações da terra,
e aniquilaria
a incongruência.

E o mundo seria como o sonho.
E na aurora da beleza,
não haveria tristeza -
ou problema algum -
das 2:01.

(A. Cortada)