Não entenda errado, querida,
que a minha natureza romântica
me impeça de querer devorá-la
e lascivá-la plenamente.
Irei saciar as suas taras
não com a minha vara, mas
com todos os meus poros,
dedos, lingua, olhos, pernas, braços e voz.
Te morderei o pescoço,
te beijarei o rosto,
te puxarei o cabelo,
te segurarei até pelo tornozelo.
Te acariciarei as costas
enquanto uniremos as bocas
e vou sentir teu gosto doce,
corpo contra corpo.
E saberás que estás viva e que não precisas
viver por outro quando tu me gozares toda,
quando me melares a boca com tua vida,
quando eu te mostrar que não sabias nada sobre amar.
Te deitarei na minha cama e, como criança
que ama, te brincarei com foda, e
te molharei com esporros
no esplendor de poder ser sem pudor;
Ser eu,
ser tu,
ser nós.
E culminaremos em uma erupção vulcânica
que libertará a tua alma, com teu rugido orgástico.
Pois se me destroçastes o peito,
me infectando de amor,
te desconjuntarei também,
te reverberando além.
E um pouco, pouquinho depois,
recomeçarei tudo outra vez.
(A. Cortada) |